Nuevos aires
E os meus dias sozinho e longe da minha vida estão chegando ao fim.
Aqui em Buenos Aires, tenho um quarto com uma vista para várias janelas, varandas, pessoas e estrelas. Fico horas olhando para elas e apenas pensando em como tudo vai ser daqui pra frente. Eu não vim tão longe para voltar igual a como cheguei. E nos dias aqui, na maior parte do tempo falando apenas com minha consciência, eu pude me dar conta do babaca que estou sendo. De como tenho deixado a vida me engolir e ir contra tudo o que eu sempre quis. Afinal de contas, que história está sendo escrita? Que final eu quero pra ela? Mais importante: que fatos eu quero que façam parte da história da minha vida? Porque eu tenho agido totalmente contra mim mesmo. Tenho me sabotado, me maltratado, me anulado e para que? E por quem, se ninguém vai ser capaz de reparar este erro? Só eu. Só eu posso dar um tapa na minha própria cara e dizer: É HORA, você já foi vitima demais.
Eu não posso continuar infeliz com o que eu não tenho se não estou fazendo nada para conseguir mais. Não quero continuar sendo o cara que sonha em ser tirado da solidão, quando ele mesmo se enclausura. Nem posso ser apenas mais um na platéia de um musical lindo, quando o que eu quero e sei que posso um dia é estar no palco, brilhando e fazendo outras pessoas rirem e chorarem com histórias que vou sentir sem viver.
Não posso viver mais de se. Agora tenho que viver de quando.
Quando eu voltar serei diferente. Irei a caminho do que nunca deveria ter deixado de lado. Vou começar a ir de fato atrás do que vai me fazer uma pessoa realizada. Sem me trair.