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Sobre auto-estima,confiança e amor verdadeiro

7 de abril de 2013

Acho engraçado como vivemos em um mundo cheio de regras invisíveis que se mostram nas pequenas coisas.

Começando do princípio que todos nós devemos ter uma auto-estima elevada. Isso é uma obrigação. Porque sem ela, supostamente, nós transmitimos a mensagem de que não valemos a pena. De que nada que nos for dado vai ser aproveitado como deveria. E isso precisa vir de dentro. Temos que nos sentir bem para que os outros nos vejam como pessoas valiosas.

auto-estima

É incrível como o conceito de auto-estima é deturpado para se transmitir outras mensagens. Já li vários artigos que relacionam diretamente auto-estima com aparência física. As sugestões são sempre: perca peso, cuide dos cabelos, vista-se melhor. Até um minuto atrás isso não era algo que deveria vir de dentro pra fora? Sim, mas essa é só a maneira como o conceito é vendido inicialmente. Na prática é o seguinte: quando você se adequa ao que a maioria acha importante, você se encaixa naquele ideal e aí sim se sente bem. Logo, sentindo-se bem e estando dentro do que se espera, todos vão te ver de outra maneira.

A auto-estima leva a confiança. Você confia que pode fazer o que quer. Nada é impossível. Aquele emprego já é seu. Aquele rapaz bonito vai se apaixonar por você. E por aí vai.

O que sempre dizem é o seguinte: com auto-estima e confiança fica mais fácil encontrar o amor verdadeiro. Mas será que é verdadeiro mesmo? Será que tentando moldar-se ao padrão você não vai encontrar somente alguém que quer se ver incluído no mundo ideal que todo mundo compra sem contestar?

Depende do que você considera amor verdadeiro. Para mim, é aquela pessoa que vai te amar mesmo que derrubem ácido no seu rosto e você jamais volte a ter uma expressão. É aquela que empurra a sua cadeira de rodas. É quem ficaria mais feliz que você mesmo se você ganhasse na loteria e não te deixaria se você gastasse tudo. É aquela que, inclusive, seria capaz de se apaixonar por você com o seu rosto já desfigurado.

A questão é: esse amor existe? Esse papo de que “a pessoa certa vai gostar de você como você é, mas se você gostar de você” deve ser interpretada como? Gostar de si mesmo significa ceder às pressões e se encaixar no modelo ideal ou sentir-se bem mesmo sendo um outcast?

Juro que não consigo consigo responder.

Deixa ir

5 de abril de 2013

Estou revendo toda a história na minha cabeça pela milésima vez só para ter certeza que entendi bem.

Eu entendi sim. Foi você quem terminou tudo.

Era pra ter sido lindo, era pra ser sido o amor da minha vida (porque eu ainda acreditava nisso), mas não foi. Acabou. Não sobrou nem uma gota daquele amor. Eu nunca mais amei alguém, mas não amo mais você. Talvez eu devesse te dizer isso desta maneira, mas ainda que eu o fizesse você jamais entenderia. Eu acho que você nem iria acreditar.

Você que olhou nos meus olhos com todo o carinho do mundo e disse que não sentia nada. Então por que eu preciso te explicar o meu sumiço?

Não dá para apagar toda essa história, eu sei. Mas ela precisa passar. A página não vira. Pelo menos pra mim. Eu já sei que você se apaixonou e faz questão de esfregar toda a sua felicidade na minha timeline. Voando de balão – literalmente e metaforicamente – e me fazendo sentir a pior pessoa do mundo, porque ainda não encontrei quem voasse comigo como eu queria voar com você. Então por que você não vai ser feliz no seu canto e me deixa ir?

hotairballoon

Putaria

3 de abril de 2013

Nunca fui e nunca serei contra sexo casual. Acho libertador e saudável. O meu problema é com putaria. Entenda-se: colocar sexo sem motivo acima de tudo. Respeito, amizade e relacionamentos deveriam vir antes do tesão na escala de importância das pessoas, mas acho que não vem. Pelo menos na de boa parte das pessoas.

Cansei de ouvir histórias horrorosas que só me fazem perder a fé no ser humano. É o cara que é amigo do casal e pega um deles quando o outro sai pra trabalhar. É o melhor amigo traindo o amigo AND o namorado numa noite qualquer. É o cara que faz todo um plano para estragar o relacionamento dos outros sem ganhar nada em troca, só porque ele não faz parte daquilo.

Um cara, sempre um cara. E geralmente gay. E não me venham com papinho de que no mundo hétero é igual. Isso não nos dá razão para viver somente de uma putaria tão desenfreada.

Nada tem valor maior do que um pau duro no mundo gay. Parece que todos querem ser porn stars: transar o tempo inteiro, ser desejados por todo mundo, viver de festas e de um nome próprio como se a vida fosse apenas isso.

brent corrigan

E depois tem quem ache ruim quando os religiosos nos julgam como ‘promíscuos’. É CLARO que nós não somos só isso, mas muitos de nós agem APENAS assim e depois reclamam quando são julgados. E ainda rotulam uma opinião como a minha de moralista ou pior, heteronormativa. Como se ter princípios fosse uma obrigação hétero. Nem é. Mas acaba que os héteros resolvem, em algum momento da vida, ter alguns. Os gays nem sempre. Cansei de ver homens gays mais velhos e comprometidos se passando para garotos novinhos em boates.

Só pra deixar claro o que eu estou querendo dizer: sexo é bom, sexo é ótimo. Mas me irrita ver outras coisas sendo banalizadas APENAS por uma trepada.

Sem Pena

1 de abril de 2013

“GET AWAY FROM ME”.

O grito ecoou na Benedito Calixto. Todos os senhores que vendem antiguidades, todos os gays que vão ali paquerar, todos os turistas e todos os mendigos pararam para ver a cena.  A mulher dava tapas no homem, que continuava gritando e a empurrava sem se importar se ela iria se machucar. Vai ver era isso que ele queria.

*

“Olha aquele homem nu” disse o rapaz de dentro do táxi para os amigos.  Era mais uma noite de sábado na Augusta. Completamente pelado, um rapaz apanhava de cinco que gritavam alguma coisa inaudível. O sangue jorrava, as pessoas fingiam que não viam. “Calma, calma”, ele pediu em vão. Levou um chute na cabeça e caiu no chão do posto de gasolina. Dali a cinco minutos algum funcionário o jogaria no meio da rua para não atrapalhar o movimento.

*

“Mira señor” disse o imigrante mostrando o seu talento como costureiro para um homem sério que analisou aquela bermuda minuciosamente. Ao redor outros se aglomeravam tentando tirar dele a oportunidade de ganhar R$9 por peça ao invés de R$7.

*

“A diária do carro é R$150” disse o taxista, logo em seguida mostrando a sua nova música “com uma homenagem ao Michael Jackson”, como fez questão de frisar. O sample mal encaixado de Thriller logo deu lugar a barulhos inquietantes de tiros e sirenes policiais. “Precisa ter cabeça pra entender minha música. Não é pra qualquer um.” Ele só precisava de alguém que concordasse com ele. E os passageiros só concordavam porque tinham medo de confirmar se ele era mesmo louco.

sem pena

#LavidadeJimmy – La semana santa

31 de março de 2013

lavidadeJimmy1

Quinta

Prometi a mim mesmo que tomaria 25 doses de vodka na festa Open Bar onde comemorei o meu aniversário. Afinal, estava fazendo 25 anos e justamente por isso não paguei para entrar.

A festa era tão hétero que até eu agarrei uma mulher. POIS É. Ah, e levei um fora de um cara que eu sei que um dia chorará lágrimas de sangue pra ficar comigo e não vai ter esse prazer. Questão de tempo.

Discuti com um dos seguranças da boate por alguma merda e fui embora revoltado. Comprei um hot dog na barraquinha da frente, mas o moço não tinha refrigerante. Então cheguei em outro quiosque e perguntei “Moça, você tem coca?”. TODO MUNDO me olhou estranho. “Coca-cola gente” respondi, SÓ PRA DEIXAR CLARO e saí de lá ligeiro. Papelão. Mas eu tava na Augusta, né? Tenho CERTEZA que achavam que eu tava querendo comprar cocaína.

Peguei um taxi com um motorista ótimo que ficou ouvindo eu narrar a minha vida amorosa deplorável em tom de humor e morreu de rir com tudo o que eu disse. Ele ainda fez pouco caso e disse que o bom é ser solteiro para comer quem você quer. Ai eu resolvi perguntar “Mas me diz uma coisa…Você trocaria toda a sua história com a sua mulher só pra comer as menininhas por aí sem culpa?” no que ele respondeu “SIM”, assim mesmo em caps lock. E vocês ainda reclamam do meu pessimismo.

Agora fiquem com esse final: eu sabia que estava MUITO bêbado quando cheguei no hotel, por isso tomei dois Dramins antes de dormir só pra ver se eu conseguiria me livrar de um vômito. Parecia que tinha funcionado até eu acordar no meio da noite e vomitar na roupa de cama, na minha roupa, no chão do quarto e nos travesseiros. Depois disso joguei tudo no chão, tirei a minha roupa toda e desabei na cama outra vez.

Sexta 

Quando vi o estrago no quarto tive vergonha, mas nem conseguia fazer nada a respeito por causa da ressaca.

Descobri que estou hospedado do lado do Minhocão e que nos feriados ele fica totalmente fechado pros carros e vira uma espécie de parque de concreto. Curti. Dei umas voltas, depois achei uma padaria pra almoçar e voltei para o hotel jurando que ia dormir, mas tudo continuava igual.

Eu tinha pedido para limparem o quarto com urgência, por favor e com sorrisos. Mas voltei e tudo ainda estava lá. Sabe quando você tá numa ressaca filha da puta, come pra ver se melhora e FICA TORCENDO pra sua refeição vingar no estômago? Amigos, ela QUASE voltou só da lembrança do que aconteceu antes. Então eu liguei para a recepção pedindo PELO AMOR DE DEUS pra mandarem a moça da limpeza. O mocinho só disse “Senhor, a limpeza vai até as 16h”. E porra, ainda eram 13h. Choraminguei mais um pouco e eles mandaram logo duas mulheres pra cá. Elas riram do quarto todo vomitado e eu pensei no quão ruim deve ser uma vida quando um ataque de vômito te faz rir.

À noite fui com os amigos ver um musical que eu tinha visto antes em Buenos Aires e amado. Mas a versão brasileira não era tão boa principalmente por causa de 1 ator que tinha que arrasar, mas cantava mal e não passava emoção alguma. O cara era LINDO DE MORRER, mas só isso. Fiz a minha crítica em alto e bom som no intervalo do espetáculo, mas é claro que a família INTEIRA do menino estava justamente na fila atrás da minha. Pelo menos eu disse que ele era bonito né, rs.

De lá fomos para uma boate no centro que diziam ser muito boa mas era somente mais um lugar lotado de bichas que se acham só porque são bichas. Você já deve ter conhecido alguém assim. Acham que pinta é alguma coisa. É como diz aquela frase: se pinta garantisse algo, a onça é que era a Rainha da Selva.

Sábado

O dia começou com um almoço num restaurante bem pretensioso nos Jardins. Sabe aquele lugar bem average que tem pratos do tipo: file mignon com ervas e risoto de gorgonzola com nozes??? Esse tipo de lugar.

Depois disso encontrei umas amigas na Oscar Freire e devo dizer que achei a rua muito superestimada. Sinceramente, a maior diferença dela para a José Paulino é o preço das coisas. E na Oscar Freire você vê gente mais bonita passeando com cachorros mais bonitos também.

De lá fomos para uma brigaderia MINUSCULA e eu tive um ataque de claustrofobia. O lugar era menor do que o meu quarto mas tinham umas 40 pessoas lá dentro, entre elas dez funcionárias enrolando brigadeiros freneticamente. O cheiro do lugar era uma delicia, mas não dava pra ficar ali. Saí agoniado até que acharam outra área da mesma loja mais arejada e com mesinhas para onde acabei indo.

Uma das minhas amigas sabia chegar nos lugares a pé e andei mais nessa tarde do que no resto do ano. Fomos parar na Vila Madalena e achamos lá um restaurante divino e ainda meio desconhecido. A comida era muito boa e sem pretensões de ser phyna. O preço também era bem justo. A quem interessar possa, o lugar se chama Casa de Maria Madalena.

Eu tava em dúvida se sairia essa noite, mas na última hora me animei e fui. A primeira boate que fomos lotou antes que a gente conseguisse entrar, então fomos direto pra outra que a gente já tinha ido ano passado e gostado. Além do mais a festa seria open bar. Na última vez que eu fui lá tinha visto as guei dançando EU QUERO SER O SEU AMOR (alguém me diz por que em São Paulo toca Wanessa nos lugares?) mas mesmo assim tinha achado legal. Entramos na festa e em menos de cinco segundos constatamos que: era uma festa HÉTERO.

Gente, a divulgação da festa dizia que eles teriam pulseirinhas neon, GÁS HÉLIO e piscina de bolinhas e era uma festa HÉTERO? Como assim? O início foi até engraçado, porque tocaram coisas como Beyoncé e eu pude aprender como é o jeito hétero de dançar os hits gays, mas depois perdeu a graça né.

Isso porque eu tinha dito que ia pegar um homem sim ou sim. Parabéns aos roteiristas de #LavidadeJimmy.

Domingo

Acordei com um culto evangélico de Páscoa e jurava que tinha uma igreja aqui na vizinhança, mas era só uma galera arrasando na Praça Marechal Deodoro.

Deu vontade e estou ouvindo Wanessa Camargo enquanto eu planejo o que vou fazer. Devo ir à feira boliviana ver os gatinhos latinos e tomar inka cola e depois ir para a Liberdade me apaixonar por uns vinte orientais antes de ir chorar um milhão de lágrimas no Rei Leão.

O dia promete, né?

lavidadejimmy2

Beijos despretensiosos,

Jimmy.

Season 25

29 de março de 2013

Semana passada um aluno meu, do alto dos seus 16 anos, ao saber que eu estava completando 25 disse “É nessa idade que você se torna um adulto de verdade”.

Não é que eu também sinto isso?

Eu estou diferente. Algumas coisas que me tiravam do sério hoje são bobagens. Eu aprendi a lidar melhor com algumas situações e pessoas. Meus gostos também mudaram. Mas eu ainda preservo muito do cara que eu era quando tinha os 16 anos cheios de sabedoria do meu aluno.

Hoje me peguei emocionado. Está sendo o meu primeiro dia como um adulto de verdade. E não consigo não pensar que agora é que vou viver o melhor da vida. Ainda vou fazer e sentir muita coisa e só isso já é suficiente para eu estampar um sorriso na cara.

Welcome, season 25.

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Desembarque

5 de março de 2013

arrivals

Parece que foi ontem, mas já se passaram anos. Foi a última vez que eu estava realmente ansioso para sair de um avião e encontrar quem me esperava no saguão de desembarque.

Não, jamais quero voltar a aquele dia. Eu quero é sentir aquilo de novo. Quero descer do avião sabendo que alguém me espera. E que vamos pra casa de mãos dadas no banco de trás do táxi, contando qualquer história só para o tempo passar.

Tudo passa realmente. O que me diziam era verdade. Mas nem por isso a gente deixa de sentir falta. E não é saudades de quem ocupava aquele espaço, mas de quem virá. Parece estranho, eu sei, mas sinto saudades de alguém que eu ainda não conheço, mas que eu tenho fé que vai surgir em minha vida. E que além de outras coisas, vai me fazer ver que  naquele dia, naquele aeroporto, eu só estava tirando do meu caminho alguém que precisava sair para que eu o conhecesse.

A pergunta agora é: onde está ele?

Percebo ele se aproximando, como quando a gente olha para um céu ensolarado mas tem certeza que vai chover. Você é o único que sai de casa com um guarda chuva, todo mundo te zoa porque não tem como sequer chuviscar e no final só você acaba chegando seco no trabalho. É justamente por ser tão improvável que eu acho que ele está tão perto.

Mas talvez este sentimento seja só eu me enganando para não pirar com a solidão. Aliás, já percebeu que quem sempre vem te dizer para desencanar e viver porque todo mundo encontra alguém é gente que nunca passou pela mesma coisa? Entendo a boa intenção, mas minha vontade sempre é dizer “Passe quatro anos solteiro e então a gente conversa”. Queria ver o mesmo otimismo depois dessa experiência.

Cara, se você existe mesmo, desembarca logo desse avião. Pode pular dele e chegar de paraquedas se quiser. Ou no mínimo me avisa que está a caminho. Só não me deixa plantado no saguão de desembarque.

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